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Jornal da APA
JORNAL DA APA ITACARÉ SERRA-GRANDE
Ano III nº 35 mai/jun 2005
NESTA EDIÇÃO:
Editorial
(pág.2)
Parque do Conduru é recordista em espécies de árvores
(pág.3)
Governo anuncia mais de 5 milhões para indenizações
no Parque (pág.3)
Comunidade reivindica participação em debates sobre a
construção da estrada Itacaré/Camamu (pág.4)
APA Itacaré-Serra Grande terá uma das maiores
Reservas Particulares do Sul da Bahia (pág.4)
Lançamento do Programa de Certificação Municipal em
Turismo Sustentável em Itacaré (pág.5)
Balcão único é tema de debate no Conselho Gestor da
APA de Itacaré/Serra Grande (pág.6)
Conselho Gestor elabora agenda de trabalho para 2005
(pág.7)
IESB
ganha Prêmio Muriqui 2004 (pág. 8)
EDITORIAL
PÁGINA 02
Nesta edição do Jornal da APA, uma matéria relata o resultado do
estudo da vegetação do Parque Estadual da Serra do Conduru
desenvolvido pelo IESB e a Conservação Internacional. O estudo, que
foi apoiado pelo Projeto Corredores Ecológicos e o Herbário do
Centro de Pesquisas do Cacau (CEPEC), reforçou que o Sul da Bahia é
a região que possui o maior número de espécies de árvores do Brasil,
e está entre as maiores do mundo.
Além da riqueza de árvores e de outras plantas, o parque é
igualmente importante pela ocorrência de diversos animais (muitos
sob risco de extinção), proteção dos mananciais de água com
qualidade, dos solos e da manutenção da paisagem florestal que
melhora a nossa qualidade de vida e atrai visitantes para a região.
Já se passaram mais de sete anos após a publicação do Decreto
Estadual nº 6.227 que criou o Parque Estadual da Serra do Conduru.
Atualmente, o parque dispõe de residência para o seu gerente (o
engenheiro agrônomo Marcelo Barreto), veículos, alojamentos e espaço
para reuniões, trilha interpretativa formatada, vigilantes das
construções, plano de manejo em fase final de aprovação, equipe
específica para a regularização, ONG’s que apóiam a sua gestão e um
forte interesse da sociedade civil organizada a exemplo do Conselho
Gestor da APA, que freqüentemente discute sobre o parque.
Por outro lado, este impressionante patrimônio natural carece de
fiscalização efetiva e vem sofrendo com as agressões de criminosos
que se organizam em verdadeiras quadrilhas para retirar madeira.
Para avisar sobre uma possível chegada de fiscalização, estas
quadrilhas acendem fogos de artifício, o mesmo sistema usado por
traficantes de cocaína. Somando-se as deficiências da fiscalização,
o parque possui apenas 16% de área regularizada causando
descontentamento principalmente das comunidades que residem no seu
interior e aguardam com ansiedade uma solução definitiva.
Ainda nesta edição, outra matéria apresenta o anúncio do governo do
estado, realizado em Serra Grande, em disponibilizar cinco milhões e
oitocentos mil reais para as indenizações dos proprietários e
posseiros nos próximos dois anos. A sociedade civil organizada
precisa estar mais integrada para acompanhar esta problemática e
assegurar a destinação destes recursos, inclusive cobrar a efetiva
gestão do parque. Afinal de contas, para que o governo do estado
receba os recursos financeiros para a construção da Rodovia BA 001,
trecho Ilhéus–Camamu, foi condicionado a regularização fundiária do
Parque Estadual da Serra do Conduru.
EXPEDIENTE
Jornal da APA é uma publicação mensal do IESB (Instituto de Estudos
Socioambientais do Sul da Bahia) para promoção da Área de Proteção
Ambiental da Costa de Itacaré-Serra Grande e da conservação do meio
ambiente em todo o nosso planeta.
Esta publicação é possível graças ao apoio do Ministério do Meio
Ambiente através do Fundo Nacional de Meio Ambiente em convênio
celebrado sob número 053/2003 do Projeto “Consolidação para gestão
participativa do Conselho Gestor da APA da Costa de Itacaré-Serra
Grande”.
Este conta com a parceria da secretaria de Meio Ambiente e Recursos
Hídricos – SEMARH, do Governo do Estado da Bahia e do Instituto
Tijuípe.
Conselho Editorial: Flávio Leopoldino, Juliane Nunes, Marco
Aurélio Souza Silva,
Cosme Nunes Pereira
Pesquisa e Textos: Jomária Soledade e Cosme Nunes Pereira
Revisão: Juliane Nunes
Fotos: Luiz Lima, Oscar Artaza, Alexandre Braga, Flávio
Leopoldino
Jornalista responsável: Vera Rabelo – DRT/BA 372
Diagramação e impressão: Gráfica Agora
Sede do Jornal da APA: Rua João Coutinho, nº 119, Itacaré/Bahia
CEP 45530-000 Fone/Fax: (73) 3251-2469
ESPAÇO AMBIENTAL
PÁGINA 03
Parque do Conduru é recordista em espécies de árvores
Um estudo da vegetação do Parque Estadual da Serra do Conduru,
realizado em 2004, apontou o maior número de espécies de árvores do
Brasil. A análise foi feita comparando todas as áreas do Brasil em
que existem levantamentos com uma metodologia similar. O resultado
foi surpreendente! Foram encontradas 144 espécies arbóreas em uma
área de apenas 1.000m2.
Para se ter uma idéia, as duas outras florestas brasileiras que
estão mais próximas desta riqueza são a Reserva Florestal de
Linhares, no Espírito Santo, com 125 espécies e a Reserva Ducke, na
Amazônia, com 122 espécies de árvores. “Provavelmente, a floresta do
Conduru está entre as três áreas do planeta com maior número de
espécies de árvores”, é o que afirmam os autores do estudo, Adriana
Martini, Pedro Fiaschi, André Amorim e José Lima.
O trabalho foi realizado pelo IESB (Instituto de Estudos
Socioambientais do Sul da Bahia) e pela Conservação Internacional,
com o apoio do Projeto Corredores Ecológicos e do Herbário do Centro
de Pesquisas do Cacau. O Corredores Ecológicos é um projeto de
cooperação internacional, entre o Brasil e os países do G7, que vem
sendo implementado através de parceria entre o Ministério do Meio
Ambiente e a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMARH).
“Mesmo com toda esta riqueza, o parque vem sofrendo inúmeras
agressões, como a extração de madeira e a caça, sem que os órgãos de
fiscalização do estado ou do governo federal tomem as providências
necessárias”, afirma o Coordenador do Núcleo de Áreas Protegidas do
IESB, Flávio Leopoldino. Além disso, apenas 16% da área do parque
encontra-se em posse do Governo do Estado, o que agrava os conflitos
com os moradores que vivem no seu interior.
O Parque Estadual da Serra do Conduru é uma unidade de conservação
com 9.275 hectares e está localizado nos municípios de Uruçuca,
Itacaré e Ilhéus, no Sul da Bahia. Foi criado em 1997 como resultado
de acordos entre entidades ambientalistas locais, Governo do Estado
da Bahia e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Na época,
o BID financiou R$ 14 milhões para a pavimentação da Rodovia BA 001,
trecho Ilhéus – Itacaré, que cortava trechos importantes de
florestas. Em contrapartida, o Governo do Estado comprometeu-se com
a implantação do Parque, disponibilizando os recursos financeiros
necessários para a sua regularização fundiária. Passados quase oito
anos a comunidade local ainda espera o cumprimento das promessas do
Governo da Bahia para a efetiva implantação do Parque e proteção de
sua rica floresta.
Governo anuncia mais de 5 milhões para indenizações
no Parque
Carla Canuto, técnica da SEMARH, afirmou que o Governo do Estado
disponibilizará no seu orçamento plurianual R$ 600.000,00 até o
final de 2005, e em 2006, R$ 5.200,00 para indenização dos posseiros
do Parque Estadual Serra do Conduru.
A noticia foi dada em reunião realizada na sede da Associação de
Pequenos Produtores, Serra Grande, no dia 28 de abril. O evento foi
organizado pela SEMARH e Instituto Floresta Viva e contou com a
participação de trinta pessoas, entre representantes dos posseiros,
INCRA, Delegacia Ambiental da Polícia Civil, EMARC, Secretarias
Municipais de Meio Ambiente de Itacaré e Uruçuca, ONG’s e
representantes do conselho gestor da APA Itacaré – Serra Grande.
Carla Canuto é a técnica responsável pela regularização fundiária do
parque e repassou informações atualizadas sobre os recursos
disponíveis para a indenização dos posseiros e proprietários. A
indenização será feita conforme prioridades definidas no Plano de
Manejo. Somando-se as duas quantias permitiria regularizar 85% deste
impressionante e ameaçado patrimônio natural. ESTAMOS DE OLHO!

ESPAÇO URBANO
PÁGINA 04
Comunidade reivindica participação em debates sobre a
construção
da estrada Itacaré/Camamu
Por Cosme Nunes Pereira
A comunidade de Itacaré, durante as plenárias do Conselho Gestor da
APA, tem manifestado reiteradamente preocupações quanto à construção
da Rodovia Itacaré/Camamu. Não se trata de ser contra a construção.
Muito pelo contrário. Sua importância no desenvolvimento econômico
da região é evidente, seja no fomento ao turismo, seja como
facilitador do escoamento de produtos agropecuários e de acesso a
serviços básicos de saúde e educação pelas populações que vivem
isoladas na zona rural.
O que se quer é a priorização em investimentos nas obras de
infra-estrutura básica na área urbana de Itacaré, como por exemplo,
a conclusão do esgotamento sanitário, despoluição de praias urbanas,
destinação final de resíduos sólidos (questão do lixo), drenagem
urbana, pavimentação e planejamento urbano, urbanização do bairro
Santo Antonio, construção de moradias populares, segurança pública,
conclusão e implementação do plano diretor. Além do mais, se espera
mais investimentos para assegurar melhorias na qualidade de vida dos
agricultores familiares, segmento menos atendido pelo
desenvolvimento turístico.
A Estrada Ilhéus/Itacaré, concluída em 1998, é exemplo claro do que
estamos falando. O número de turistas e investimentos privados no
setor hoteleiro aumentou significativamente, gerando empregos para a
população local. Por outro lado, agravou o processo de favelização
nos morros e encostas da cidade com aumento expressivo da população.
Além disso, aumentou a produção de lixo, esgotos e violência urbana.
Estes problemas podem agravar-se ainda mais com a construção de uma
nova estrada na região, caso não seja adotada uma política de
desenvolvimento econômico aliada à conservação ambiental e melhoria
na qualidade de vida da população que reside na APA Itacaré-Serra
Grande.
O Programa de Ação para o Desenvolvimento do Turismo no Nordeste (PRODETUR/NE–II),
que disponibiliza recursos financeiros para dar continuidade ao
processo de desenvolvimento do setor de turismo na região, iniciado
com o PRODETUR/NE - I, prevê a da Estrada Itacaré/Camamu e,
teoricamente, assegura que os futuros investimentos no setor
promoverão o crescimento do turismo de forma sustentável e
responsável.
A participação pública também é parte integrante e fundamental do
Programa, visando assegurar que as atividades programadas sejam
realizadas de acordo com objetivos estabelecidos, e que os impactos
sociais e ambientais negativos decorrentes do desenvolvimento
turístico sejam minimizados. A estrada programada, por exemplo,
deverá interferir em parte da Mata Atlântica e de propriedades
particulares da região sul da Bahia. A decisão quanto ao que se
fazer com as compensações ambientais deve ocorrer de maneira
participativa, envolvendo diversos atores sociais para evitar os
mesmos equívocos do passado.
A última audiência pública que se tem notícia para discutir o
projeto de construção da estrada Itacaré/Camamu aconteceu há cerca
de cinco anos, na cidade de Camamu, sem a participação efetiva da
comunidade de Itacaré. De lá pra cá muita coisa aconteceu. É preciso
atualizar este debate, desta vez em Itacaré e com a participação de
sua comunidade.

Crescimento urbano
pressiona população de baixa renda a viver em morros e encostas da
cidade
ESPAÇO AMBIENTAL
PÁGINA 05
APA Itacaré-Serra Grande terá uma das maiores
Reservas Particulares do Sul da Bahia
No final do mês de maio, o analista ambiental do Escritório do IBAMA
de Ilhéus, José Ferreira, realizou a vistoria técnica do processo de
Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) da Reserva Capitão.
A Reserva Capitão está localizada em Itacaré, a 13 km da sede do
município, estrada Itacaré-Taboquinha. A área possui 973 hectares e
é quase toda coberta por floresta, sendo que 310 hectares estão
dentro da área de decreto do Parque Estadual da Serra do Conduru (PESC)
e 660 hectares serão reconhecidos como Reserva Particular do
Patrimônio Natural (RPPN).
Além do Parque do Conduru, a propriedade também é vizinha das RPPN
Rio Capitão e Pedra do Sabia, formando um conjunto de 1.300 hectares
em reservas particulares que estão no interior da Área de Proteção
Ambiental (APA) Itacaré – Serra Grande.
A Reserva Capitão pertencia a um madeireiro e na sua área funcionava
uma serraria. Em outubro de 2003, foi adquirida pelo Instituto de
Estudos Socioambientais do Sul da Bahia – IESB (www.iesb.org.br) com
o apoio da The Nature Conservancy do Brasil – TNC (www.tnc.org.br)
como resultado das estratégias para a conservação da biodiversidade
no Sul da Bahia que vem sendo desenvolvidas por estas duas
organizações não-governamentais. Os recursos financeiros foram uma
doação da empresa 3M que também apoiou a aquisição da Reserva Nova
Angélica (240 hectares) no Município de Una, onde também será criada
uma RPPN, e implementado modelos de sistemas agroflorestais e
reflorestamento.
Os objetivos da Reserva Capitão são garantir a conservação da
biodiversidade, por meio da criação de uma RPPN de 660 hectares,
apoiar a implementação do Parque do Conduru, ampliando a proteção
efetiva da sua Zona de Amortecimento, e doando ao Estado da Bahia os
310 hectares que estão dentro da sua área de decreto, e por ultimo
ser uma unidade de pesquisa sobre a Mata Atlântica.
A reserva é protegida por dois guardas-parque locais, Francisco e
Evandro, que fizeram treinamento promovido pela Associação de
Proprietários de Reservas Particulares da Bahia e Sergipe – PRESERVA
(www.preserva.org.br) na RPPN Serra do Teimoso em Jussari.
Com relação às pesquisas, já foram realizados levantamentos de
árvores, aves, anfíbios anuros (sapos, rãs e pererecas), mamíferos,
cobras e lagartos. O biólogo Gustavo Canale do IESB vem
desenvolvendo uma pesquisa sobre a ecologia e o comportamento do
macaco-prego-do-peito-amarelo (Cebus xanthosternos), um dos 25
macacos mais ameaçados de extinção do mundo. Esta pesquisa irá
auxiliar na no desenvolvimento de ações de conservação deste animal.

Cachoeira Água Vermelha,
localizada na Reserva do Capitão

Mapa de localização
ESPAÇO CONSELHO GESTOR
PÁGINA 06
Lançamento do Programa de Certificação Municipal em
Turismo Sustentável em Itacaré
O Instituto de Turismo de Itacaré, em
parceria com ABIH-Itacaré, Instituto de Hospitalidade do Brasil e
Instituto Floresta Viva, promoveu o lançamento do Programa de
Certificação Municipal em Turismo Sustentado – PCMTS. O evento
aconteceu dia 29 de abril, no Hotel Vila de Ocaporan, em Itacaré.
O novo programa tem como objetivo aprimorar a qualidade e
competitividade das empresas de turismo de Itacaré, estimulando seu
desempenho nas áreas econômica, ambiental, cultural e social. Estas
ações contribuirão para melhorar a qualidade do desenvolvimento
sustentado da industria turística na região, bem como da imagem e
competitividade do turismo brasileiro no exterior.
A iniciativa foi bem aceita pela comunidade. Esta parece ser uma boa
oportunidade para avançar no diálogo sobre o livre acesso às praias
com alguns empreendedores de turismo que possuem hotéis na costa
Itacaré – Serra Grande. O acesso livre às praias é um direito
constitucional!
O acesso livre às praias
A privatização de algumas praias da APA Itacaré - Serra Grande é um
problema recorrente e freqüentemente discutido nas reuniões do
Conselho Gestor. As denúncias são encaminhadas por surfistas, guias,
banhistas, veranistas e turistas insatisfeitos com atitude de alguns
empresários que vem fechando ilegalmente as praias e cobrando uma
taxa para permitir o acesso às praias da região. Há notícias de que
trilhas seculares foram fechadas com cercas de arame e cadeado,
vigiadas por cães e seguranças, autorizados a impedirem a entrada
livre às praias. Representantes do conselho gestor irão verificar
estas denúncias!
Os organizadores do evento ressaltaram que a certificação em turismo
implica em disseminar a prática da qualidade e do respeito ambiental
e social, uma responsabilidade dos empresários da região para com
seus clientes, funcionários, meio ambiente e a comunidade. Porém,
fica a dúvida se dá pra certificar uma empresa turística (hotéis,
pousadas, restaurantes, agências, etc.) que não respeita um direito
tão elementar assegurado na Constituição Federal, que é o acesso
público às praias.
O Conselho Gestor da APA de Itacaré/Serra Grande vai continuar
insistindo para resolver esta grave questão através do diálogo,
colocando este tema em pauta nas próximas reuniões. Esperamos que o
compromisso dos empresários com o Turismo Sustentável e Responsável
seja pra valer, de maneira que justifique a almejada certificação. É
esperar pra ver!
ESPAÇO CONSELHO GESTOR
PÁGINA 06
Balcão único é tema de debate no Conselho Gestor da
APA de Itacaré/Serra Grande
O Conselho Gestor reuniu-se em Itacaré para discutir a efetiva
implementação do Balcão Único de Licenciamento na gestão da APA
Itacaré/Serra Grande. Previsto no Plano de Manejo da APA, esta
diretriz aponta para um sistema de licenciamento de empreendimentos,
controle e monitoramento de atividades a serem realizadas no
perímetro desta Unidade de Conservação.
Para resgatar e implementar esta boa idéia já assegurada legalmente,
o Conselho Gestor criou um Grupo de Trabalho para estudar meios de
viabilizar na prática a implementação do Balcão Único de
licenciamento. Atualmente, não está havendo acompanhamento das
licenças para a instalação de empreendimentos por parte do Conselho
Gestor da APA, o que justifica a criação expressa do Balcão Único. A
sociedade organizada deseja participar da tomada de decisões sobre
os rumos das atividades econômicas na APA e não apenas tomar
conhecimento das licenças já aprovadas.
Segundo a Resolução do Conselho Estadual de Meio Ambiente (CEPRAM)
nº 1334 de 19 de dezembro de 1996, que aprovou o Plano de Manejo, o
Balcão seria composto pela Administração da APA, Prefeituras e
Câmaras Municipais, representantes de proprietários, associações,
entidades da sociedade civil e ONG’s ambientalistas, num processo de
licenciamento colegiado, conforme assegura a Resolução do CONAMA
10/88.
O modelo de gestão concebido no Plano de Manejo aprovado pelo CEPRAM
proporciona a integração das instituições governamentais e não
governamentais, de forma a maximizar a capacidade de cada uma delas
em contribuir com a administração, controle dos recursos e qualidade
do seu uso e ocupação, assegurando a aproximação do Plano de Manejo
com a sua comunidade alvo.
Conforme consta da referida resolução, os integrantes do Sistema de
Licenciamento Conjunto serão responsáveis pelo detalhamento e
elaboração de roteiros com os procedimentos necessários para o
licenciamento dos projetos a serem implantados na APA.
ESPAÇO CONSELHO GESTOR
PÁGINA 07
Conselho Gestor elabora agenda de trabalho para 2005
Aconteceu no dia 27 de abril, na
Biblioteca Municipal de Serra Grande, Distrito de Uruçuca, a Oficina
de Planejamento das Ações do Conselho Gestor para o ano de 2005. O
evento teve o apoio do Fundo Nacional do Meio Ambiente no âmbito do
projeto “Consolidação da Gestão Participativa da APA Itacaré–Serra
Grande”, desenvolvido pela parceria IESB, SEMARH e Instituto Tijuípe.
A oficina foi moderada pela consultora Lucélia Berbet e
fundamentou-se no enfoque participativo utilizando técnicas de
trabalho em grupo e de visualização. Na oportunidade, estiveram
presentes 27 participantes representando 16 instituições, que
auxiliaram na identificação dos principais problemas e ameaças, bem
como as potencialidades e oportunidades para o funcionamento do
Conselho Gestor da APA Itacaré - Serra Grande em 2005.
O ciclo de trabalho se caracterizou pela “ação com reflexão”. Após
as discussões nos subgrupos, os resultados foram consolidados em
plenária, onde os participantes refletiram para ajustar os diversos
pontos de vista em busca de um plano de ação construído com a
contribuição dos conhecimentos e experiências de todos.
A seguir, o resumo as principais discussões realizadas durante a
oficina e temas que serão abordados pelo conselho gestor em 2005:
• Fica mantido toda ultima quarta-feira de cada mês para a
realização das reuniões ordinárias do Conselho Gestor;
• Para parte destas reuniões ordinárias o IESB e o Instituto
Floresta Viva irão apoiar pagando as despesas de refeições e
viabilizando transporte para os conselheiros. O Instituto Tijuípe, a
Câmara de Vereadores de Itacaré, e a Secretaria Municipal
Desenvolvimento Rural e Recursos Ambientais de Itacaré também se
responsabilizaram em buscar recursos financeiros para apoiar a
logística destas reuniões;
• O conselho irá reunir-se especificamente para avaliar o Instituto
Tijuípe;
• Buscar apoio junto a Comissão do Meio Ambiente na Assembléia
Legislativa para tornar o conselho gestor deliberativo;
• Buscar a presença mais efetiva dos órgãos de licenciamento e
fiscalização (IBAMA e CRA) na APA;
• Elaborar um documento para os órgãos públicos competentes sobre
necessidades de funcionamento do conselho gestor;
• O Instituto Tijuípe distribuirá o Estatuto e o Regimento Interno
do conselho gestor para os conselheiros;
• Identificar fundos para captação de recursos e elaboração de
projetos;
• Cobrar aos órgãos de licenciamento a apresentação previa de
projetos para apreciação do Conselho;
• Ativação do grupo de trabalho para formação do Balcão Único de
licenciamento;
• Monitorar as ações e resoluções do conselho gestor;
• Promover palestras temáticas conforme necessidades do conselho
gestor;
• Sensibilizar instituições conselheiras a participarem mais
efetivamente do das reuniões do conselho gestor;
• Levar periodicamente decisões do conselho gestor à discussão com
os tomadores de decisão;
• Estabelecer mecanismos eficientes de denúncias anônimas;
• Utilizar o poder legislativo como canal para apresentação de
denúncias;
• Viabilizar destacamento da Companhia de Policiamento da Ambiental
– COPA para apoiar às ações de fiscalização na região;
• Sensibilização da comunidade através da comunicação;
• Definir um calendário de eventos para a APA.

Subgrupos
discutem ações do Conselho Gestor para 2005
ESPAÇO DA CULTURA
PÁGINA 08
IESB ganha
Prêmio Muriqui 2004
Durante as comemorações da Semana da Mata Atlântica, realizada em
Campos do Jordão, SP, o Presidente do Instituto de Estudos
Socioambientais do Sul da Bahia (IESB), Dr. Paulo Gabriel Nacif,
recebeu das mãos da Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, o
Prêmio Muriqui 2004.
Atualmente, o Prêmio Muriqui é reconhecido como uma das mais
importantes homenagens do país a pessoas físicas ou instituições que
tenham se destacado por suas atividades em benefício da Mata
Atlântica.
O evento aconteceu entre os dias 18 e 22 de maio e foi organizado
pelo Conselho Nacional da Reserva da Biosfera, Rede de ONG’s da Mata
Atlântica e Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo. O
IESB recebeu o prêmio durante as atividades do dia 19, simbolizado
por uma estatueta de bronze representando um Muriqui e um diploma.
O IESB é uma organização não-governamental (ONG) que há mais de dez
anos vem desenvolvendo pesquisas e ações voltadas para o
desenvolvimento, promoção e conservação da Mata Atlântica do sul da
Bahia, obtendo o reconhecimento e apoio de outras instituições. Além
do Muriqui, ganhou outros prêmios importantes como o Prêmio Bahia
Ambiental 2004, o SUPERecologia 2003, na categoria Melhor Projeto de
ONG, e o Prêmio Gazeta Mercantil de Inovação Ambiental.
Criado em 1993 pelo Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata
Atlântica (CN-RBMA), o prêmio tem como objetivo incentivar ações que
contribuam para a conservação da biodiversidade, fomento e
divulgação de conhecimentos e a promoção do desenvolvimento
sustentável na área da Mata Atlântica. Os premiados são escolhidos
através de voto pelos membros do CN-RBMA.

Dr. Paulo Gabriel
Nacif com a Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva
ESPAÇO DA CULTURA
PÁGINA 08
POESIA
COCO DA BAHIA!
Por Cláudio Lôpo
Coco da Bahia!
Êh vontade de beber sua água fria.
Plantar, zelar e acompanhar
Fazendo a devida observação
Dos besouros, borboletas e percevejos
Que estão sempre em ação
Nas florestas da região.
Adubação orgânica e natural
Sempre será o ideal
Para um fruto puro e limpo
Alimentação sem igual!
Êta coco bom, coco da Bahia!!!
Glossário desta edição:
Adubação orgânica: é a adubação feita através da utilização
de vários tipos de resíduos, como esterco, minhocas,
biofertilizantes e cobertura morta.
G7: Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais
do Brasil (PP-G7)
Herbário: é um local onde são conservadas coleções de plantas
desidratadas que se destinam a pesquisas científicas.
ONG: Organização não-governamental
Plano de Manejo: é o documento técnico que estabelece as
diretrizes para a gestão e manejo de unidades de conservação.
RPPN: Reserva Particular do Patrimônio Natural
Unidades de Conservação: são áreas definidas pelo Poder
Público, com características naturais relevantes, visando a proteção
e a preservação de ecossistemas no seu estado natural.
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